Que o mundo acabe em 2012. Talvez seja isso o que alguns pensem. Antes de Copa, antes de Olimpíadas no Brasil. Eu prefiro que não acabe. E vou perder a chance de assitir a dois grandes circos? O primeiro, a Copa. O metrô vai chegar até meu bairro, que nem estádio tem, para que nós, paulistanos, que nem gente somos, possamos ir aos estádios com conforto e dignidade. Aí eu me lembro da Estação Brás do Metrô, num dia de semana qualquer, 8h30 da manhã. Eu tentava ir ao centro. Perdi 5 trens, número que me possibilitou chegar à beira da plataforma, absurdamente lotada. Chegara minha vez. Funcionários-empurradores esperavam próximo às portas para "ajudarem" durante o embarque. Quando as portas do trem se abriram, fui levada à força para dentro por uma massa que, além de empurrar violentamente, batia também, talvez como forma de extravasar sua raiva. Imagino grávidas, idosos, crianças passando todos os dias por isso obrigatoriamente, sem alternativa alguma de transporte. Acostumam-se. E talvez batam também, por ser talvez sua única válvula de escape.
Mas não podemos deixar a cidade com seus contados quilômetros de um metrô ultrapassado sem melhorias para a Copa. Afinal, também há o gringo, que é mais gente do que nós, paulistanos, e não pode passar por isso. Não passará: é bem provável que se desloque de táxi. Os investimentos ficarão para a cidade? Sim, oh, que bondade a deles, deixarem as sobras para nós. Porque não somos nós os primeiros beneficiados. Aliás, não fomos: há trinta anos que tudo isso deveria ter ficado pronto.
E durante a Copa, trataremos os gringos como reis, falando a língua deles, oferecendo o nosso melhor - do qual não usufruímos. A emoção estará no ar, ninguém trabalhará, todos vibrarão, tudo fechará, a Globo nos oferecerá a melhor cobertura e nos convencerá de que somos uma grande nação, de um povo guerreiro, que luta nos gramados contra os inimigos, defendendo sua camisa. Em cada chuteira de cada jogador estará nosso coração, como talvez filosofe Pedro Bial. Junto com cada milionário jogador, de cujo salário não vemos nem o bom jogo de futebol para honrá-lo. E voltaremos depois às nossas rotinas.
Segundo circo, Olimpíadas. Previsão de investimento de 25 bilhões de reais, os quais, é claro, serão ultrapassados (umas três vezes, eu diria). Rio, cenário de novelas, com suas belas praias e sua polícia corrupta, com seus morros de meninos-bandidos, pobreza e balas perdidas. O que farão? Um novo vídeo não será o suficiente para que não se enxergue os problemas sérios da cidade. Talvez um acordo possa ser feito entre os traficantes e as autoridades, para que tudo transcorra em paz. Delírio meu? Talvez. Mas é por isso que eu não quero que acabe em 2012. Quero saber dos detalhes sórdidos, quero ver as máscaras que usarão, quero ver o povo embarcando em comemorações televisivas, quero ver gente ganhando muito e muitos levando nada.
O esporte? Ah, o espírito esportivo é bacana, e ficarei feliz no dia em que ele for o que realmente importa.
Karina
Clap clap clap clap!!!!
ResponderExcluirÉ verdade, e revoltante. São dois "Brasis". E os "idiotas" que ficam extremamente feliz com esses dois eventos, que aproveitem o Brasil de mentirinha, sorrridentes e saltintantes, mas não "desaproveitem " o real que virá depois, o de verdade - que continuem felizinhos e saltitantes.
ResponderExcluirDesabafei!
hehe
abç
Pobre Esponja
Acho que pelo que meu amigo falou, devo ser um desses idiotas. Estou feliz pq vamos sediar os dois eventos. Claro que o Brasil não é nenhuma maravilha, mas precisamos se mostrar. E não adianta criticar, criticar porque eu garanto que quem mais critica é quem menos faz alguma coisa para ajudar, e mais, atrapalha!!!
ResponderExcluirBeijos...