quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Os brasileiros não merecem

Muito se tem falado sobre as olimpíadas e a copa do mundo no Brasil. Extremamente irritante a conversa acerca das reformas estruturais necessárias a abrigar tais eventos em nosso país. Políticos propagam aos quatro ventos a oportunidade de desenvolvimento que isso representa para a nação, afinal todo o mundo voltará os olhos para este quadrante abençoado por Deus e esquecido pelo bom senso.

Trens interligando os aeroportos, estádios mais modernos, metrô chegando próximo aos estádios, estacionamentos, novas linhas de ônibus em corredores exclusivos, monotrilhos, ciclovias, acessos aos deficientes, aulas de inglês e outros idiomas para alunos da rede pública, incrementos no setor comercial.

Irritante, senão, enojante. Por que? Simples. Porque nós brasileiros não merecemos. Até hoje não merecemos qualquer facilidade para chegar aos aeroportos, nos cafundós do Judas ou de lá voltar em segurança e com rapidez. Vivemos acomodados com a demora, a distância, o abuso nos preços dos estacionamentos, com suas vagas escassas. Se é para agradar aos estrangeiros, boa parte deles nossos colonizadores históricos, outros, nossos colonizadores culturais, tudo bem...

Que eles não paguem o mico de passar pelas mesmas agruras que nós brasileiros passamos até hoje, nos superlotados e sucateados trens da CPTM. Que eles não passem o desgosto de tomar nossos desconfortáveis e saturados ônibus urbanos, guiados por aborígenes grosseiros que mal dominam a língua do país, muito menos as línguas estrangeiras. Que não sejam ludibriados em filas gigantescas em estádios distantes, que não tem sequer um banheiro decente, uma cadeira marcada ou, no mínimo, a garantia da própria segurança, enquanto seus carros são guardados por flanelinhas, "nóias" e larápios de toda sorte. Nós podemos conviver com isso. Nunca exigimos a solução.

Nós, brasileiros colonizados, merecemos o transporte tosco, lento, lotado, sendo xingados por cobradores e motoristas com o QI de uma ostra e o salário de um chimpanzé. Nunca fizemos por merecer a modernização. Somos passivos. Pacatos. Bobocas, até. Mas, é claro que os eventos internacionais merecem intervenções urgentes, afinal, os estrangeiros, que vem lá do “primeiro mundo”, denominação estapafúrdia, que aceitamos placidamente, ah, esses não toleram o mesmo lixo que nós toleramos. Então, quem sabe, com a vinda deles, para esses super eventos, ocorrerão as reformas que tanto queremos e nós, um povo pacífico, pacato, bundão mesmo... ficaremos com as migalhas, como sempre.

weber

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