quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Minha bronca pessoal com a classe médica.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Que acabe em 2012
Mas não podemos deixar a cidade com seus contados quilômetros de um metrô ultrapassado sem melhorias para a Copa. Afinal, também há o gringo, que é mais gente do que nós, paulistanos, e não pode passar por isso. Não passará: é bem provável que se desloque de táxi. Os investimentos ficarão para a cidade? Sim, oh, que bondade a deles, deixarem as sobras para nós. Porque não somos nós os primeiros beneficiados. Aliás, não fomos: há trinta anos que tudo isso deveria ter ficado pronto.
E durante a Copa, trataremos os gringos como reis, falando a língua deles, oferecendo o nosso melhor - do qual não usufruímos. A emoção estará no ar, ninguém trabalhará, todos vibrarão, tudo fechará, a Globo nos oferecerá a melhor cobertura e nos convencerá de que somos uma grande nação, de um povo guerreiro, que luta nos gramados contra os inimigos, defendendo sua camisa. Em cada chuteira de cada jogador estará nosso coração, como talvez filosofe Pedro Bial. Junto com cada milionário jogador, de cujo salário não vemos nem o bom jogo de futebol para honrá-lo. E voltaremos depois às nossas rotinas.
Segundo circo, Olimpíadas. Previsão de investimento de 25 bilhões de reais, os quais, é claro, serão ultrapassados (umas três vezes, eu diria). Rio, cenário de novelas, com suas belas praias e sua polícia corrupta, com seus morros de meninos-bandidos, pobreza e balas perdidas. O que farão? Um novo vídeo não será o suficiente para que não se enxergue os problemas sérios da cidade. Talvez um acordo possa ser feito entre os traficantes e as autoridades, para que tudo transcorra em paz. Delírio meu? Talvez. Mas é por isso que eu não quero que acabe em 2012. Quero saber dos detalhes sórdidos, quero ver as máscaras que usarão, quero ver o povo embarcando em comemorações televisivas, quero ver gente ganhando muito e muitos levando nada.
O esporte? Ah, o espírito esportivo é bacana, e ficarei feliz no dia em que ele for o que realmente importa.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Os brasileiros não merecem
Muito se tem falado sobre as olimpíadas e a copa do mundo no Brasil. Extremamente irritante a conversa acerca das reformas estruturais necessárias a abrigar tais eventos em nosso país. Políticos propagam aos quatro ventos a oportunidade de desenvolvimento que isso representa para a nação, afinal todo o mundo voltará os olhos para este quadrante abençoado por Deus e esquecido pelo bom senso.
Trens interligando os aeroportos, estádios mais modernos, metrô chegando próximo aos estádios, estacionamentos, novas linhas de ônibus em corredores exclusivos, monotrilhos, ciclovias, acessos aos deficientes, aulas de inglês e outros idiomas para alunos da rede pública, incrementos no setor comercial.
Irritante, senão, enojante. Por que? Simples. Porque nós brasileiros não merecemos. Até hoje não merecemos qualquer facilidade para chegar aos aeroportos, nos cafundós do Judas ou de lá voltar em segurança e com rapidez. Vivemos acomodados com a demora, a distância, o abuso nos preços dos estacionamentos, com suas vagas escassas. Se é para agradar aos estrangeiros, boa parte deles nossos colonizadores históricos, outros, nossos colonizadores culturais, tudo bem...
Que eles não paguem o mico de passar pelas mesmas agruras que nós brasileiros passamos até hoje, nos superlotados e sucateados trens da CPTM. Que eles não passem o desgosto de tomar nossos desconfortáveis e saturados ônibus urbanos, guiados por aborígenes grosseiros que mal dominam a língua do país, muito menos as línguas estrangeiras. Que não sejam ludibriados em filas gigantescas em estádios distantes, que não tem sequer um banheiro decente, uma cadeira marcada ou, no mínimo, a garantia da própria segurança, enquanto seus carros são guardados por flanelinhas, "nóias" e larápios de toda sorte. Nós podemos conviver com isso. Nunca exigimos a solução.
Nós, brasileiros colonizados, merecemos o transporte tosco, lento, lotado, sendo xingados por cobradores e motoristas com o QI de uma ostra e o salário de um chimpanzé. Nunca fizemos por merecer a modernização. Somos passivos. Pacatos. Bobocas, até. Mas, é claro que os eventos internacionais merecem intervenções urgentes, afinal, os estrangeiros, que vem lá do “primeiro mundo”, denominação estapafúrdia, que aceitamos placidamente, ah, esses não toleram o mesmo lixo que nós toleramos. Então, quem sabe, com a vinda deles, para esses super eventos, ocorrerão as reformas que tanto queremos e nós, um povo pacífico, pacato, bundão mesmo... ficaremos com as migalhas, como sempre.
weber
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Conteúdo ecológico.
Taturanas do meu jardim!
Ao Brasil veio um pingüim
que não gostou muito de alpiste.
Bravas tribos do Xingu!
Ananás adocicado
Ou abacaxi caramelado ?
É tudo índio de olho azul!
Seriemas de Guimarães!
Capivaras dos Matagais!
Parecem mulheres do cais
Sem querer, virando mães.
Alegria da bicharada,
Coitos mil, primaveris,
As mamães são imbecis
aumentando a ninhada...
É tanta boca aberta
esperando minhoca
Tuiuiús não-sei-de-onde !
Sabiá desmiolado
Cantou no pé errado,
O português perdeu o bonde.
Belos rios da minha terra,
Onde peixes naufragaram
E todas as árvores que tombaram
Desnudando a linda serra.
Eu nasci no Ipiranga
Eu conheço as margens plácidas
Hoje em dia elas são fétidas
E não há nenhum pé de manga.
Eu não agüento o ufanismo
Desse povo desatento
Quem não tem conhecimento
Apega-se ao narcisismo
Que alegria é jogar bola
Que contagiante o carnaval
Enquanto a gente se dá mal
O governo nos enrola
Que país continental!
Que enorme a nossa área
Que não tem Reforma Agrária
Que gestão débil-mental!
Que bonito é o sertão,
Que potência é o sudeste
Onde todo cabra-da-peste
Vem cheirar poluição!
Lindo céu tão azulado
Lindo céu desprotegido
Lindo céu tão poluído
Lindo céu carbonizado
Despenca do lindo céu...
Chuva...
ácida!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
A sociedade brasileira está doente
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Geyse e a hipocrisia brasileira
A pergunta mais ouvida é: quem teria razão? A aluna, ao escolher a roupa que bem entendesse ou a faculdade, tentando preservar o ambiente escolar? Cabe aqui analisar alguns fatores.
Em primeiro lugar, precisamos caracterizar o que seria o atentado à moral e ao pudor. Num país onde se lutou pela prática do top less nas praias cariocas há 10 anos, onde há 15 anos dançava-se em todos os lugares sobre bocais de garrafa e há 30 anos biquínis fio dental revolucionaram as praias, como definir que roupa pode ser moral ou imoral? Cultua-se “mulheres-fruta”, que se exibem à exaustão em programas de TV, em qualquer horário, com trajes mínimos, poses e danças sensuais. Reality Shows exibem todo o tipo de momentos íntimos de uma pessoa, e são assistidos, inclusive, por crianças. O carnaval apresenta desfiles nos quais, quanto menos roupa, melhor. E como Geyse vem a ser atacada, quase apedrejada, se ela mesma é também um fruto dessa cultura do Brasil? A hipocrisia, a histeria coletiva, e por que não, a desculpa para não assistir a uma aula permearam o episódio lamentável ocorrido na Uniban.
E a postura da faculdade? Seria sua obrigação, na área do campus, zelar pela segurança de seus alunos. Numa seqüência de erros, várias atitudes equivocadas foram tomadas, como sugerir que a aluna fosse embora sozinha ou um dos seguranças ser designado para dar um sermão à garota num momento tão impróprio. A seguir, pune-se a vítima, não seus algozes, num equívoco digno de envergonhar os professores de Direito da instituição, que se talvez fossem consultados, opinariam contra tal arbitrariedade. A expulsão de Geyse elevou a proporções internacionais o alarde da hipocrisia presente em cada conduta adotada.
Teria Geyse errado? Não num país com uma cultura como a nossa. A confusão talvez pudesse ser evitada se a faculdade impusesse normas sobre as roupas permitidas para se assistir às aulas, o que também não foi feito. Nada justifica a agressão sofrida pela aluna, nem mesmo um comportamento provocativo. O episódio serve para que retomemos discussões acerca de nossa cultura, acerca da hipocrisia reinante e acerca da aplicação de nossas leis, já que a vítima passou a ser a ré numa instituição cujo o objetivo deveria ser educar a sociedade, e não fornecer péssimos exemplos de julgamentos inadequados e intolerância.